quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Há verdade e A verdade

Na tentativa de desmistificar e entender algumas de nossas características comportamentais mais evidentes hoje em dia, me deparo com a polêmica da violência.
A "Pulsão de Morte" como postulava Freud significa nosso instinto primitivo de agressividade. Nossos antepassados usavam isso cotidianamente para viver, sobreviver, conquistar e caçar. Sem o seu lado violento, seria inviável tal façanha. Acontece que quanto mais a humanidade evolui, mais ela aprimora algumas de suas características e despreza outras como a de, por exemplo, saber usar sua agressividade (eis aí a teoria da evolução de Darwin). A violência é algo intrínseco do ser humano, faz parte de um mecanismo de defesa. Quando temos medo muitas vezes agimos com violência!
Dessa maneira não consigo aceitar que vivemos um momento social de extrema violência, o que nos ocorre é que o imenso "show da vida by TV" nos fazem viver emoções constantes e consequentemente viciantes deste único ponto de vista sobre a violência ("todo ponto de vista é a vista de um ponto" - Leonardo Boff).
Expor um fato de que em uma cidade de 100 mil habitantes um único cidadão resolveu matar de maneira fortuita um outro e fazer com que esta notícia repercuta tempo suficiente até outro assassino tomar a atenção, não deve ser algo que possamos chamar de verdade sobre os fatos do nosso comportamento, nossa cultura, sobre os tempos atuais. Há de se averiguar sempre os reais motivos para solucionar questões complexas.
Temos a mídia como um horáculo e passamos a acreditar piamente que tudo que ali é dito faz parte de uma verdade absoluta... um equívoco.

Façamos o seguinte experimento:
1 - Vamos até a nossa rua e pelo tempo que for possível observaremos as pessoas que por ali circulam.
2 - Tentem encontrar onde estaria a violência tão presente na vida das pessoas que os jornalistas sedentos por sangue tanto nos fazem acreditar.
3 - Caso encontrem algo como um ato de relevante violência acredite, sua rua vai ser notícia.

Daí me pergunto, quantas e quantas rua vivem sem violência?

Essa característica que a mídia resolveu investir tem modificado o que Sigmund Freud postulou a pouco mais de um século atrás e tem feito jovens moleques almejarem seu momento de fama em um dia poderem ser notícia no programa policial "Bronca Pesada com Cardinot".
Durma com uma bronca dessas...

Forte abraço
Sérgio Vicente Oliveira

4 comentários:

  1. Amigo Serginho,
    Eu não falaria em verdadE, mas em verdadES. Não existe uma única verdade, mas diversas, dependendo de uma diversidade de fatores...

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  2. Pois e eu acredito que no nosso dia-a-dia nos vemos que a verdade e que nao tem mais lugar que nao exista violencia.
    Mas tbm e que a verdade e que muitas pessoas tentam acreditar que ainda exista lugar sem violencia.valeu muito obg bjs.

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  3. Fernando: Sérgio, não conheço com intimidade a teoria de Freud, mas compreendendo haver outras verdades sem fugir da premissa de tudo ter explicação, é de se notar que existe violência tabém que fogem a tua explicação, como uma pessoa, por exemplo, que não acompanha a grande mídia e são violentas. Queria que tu falasse um pouco disso. Mas concordo com o geral da tua tese: existem verdades sendo "perpetuadas" de forma negligente pela grande mídia, e isso influencia nosso modo de costruir e perpetuar verdades. Cita-se "Tiros em Clombine" de Michel Moore.

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