De tempos em tempos acontecem crimes que chocam a população nacional e “abalam” as estruturas e pilares da sociedade brasileira. Eu me vejo aqui na Casa de Passagem com adolescentes negligenciados e muitas vezes violentados pela própria família. Faço questão de me chocar a cada caso que encontro e a cada relato que ouço dentro de um consultório com casos de violência. Digo isso por que não é difícil ouvir notícias bárbaras sem que isso nos abale. Por estratégia de marketing, alguns jornais de pequena circulação tentando garantir o seu lugar ao Sol, destacam em sua capa: “LEVA GAIA, FICA BÊBADO E MORRE QUEIMADO”, Custam R$0,25 os detalhes. Vejo que as pessoas que compram, riem, zombam e entram num momento de descontração para começar o dia.
Faço questão de me chocar a cada caso, não quero aceitar tal realidade como cotidiana e dessa forma me mantenho na linha de frente dos que sentem repulsa ao descaso do combate à violência. E quando falo de combate, não me refiro a polícia ou qualquer forma de repressão. Falo do alicerce da família, de proteção à criança e adolescente que por incrível que pareça ficou piegas dizer que elas são o futuro do país. O combate a violência psicológica, a negligência, a fragmentação da família.
O que me impressiona é ver que todos têm a solução para casos de violência. Não é difícil parar em um café na cidade e escutar pessoas ao lado dizendo o motivo pelo qual Wellington Menezes de Oliveira entrou numa escola e matou doze crianças... bullying, abandono da família, pura maldade?
Que possamos a cada dia pensar e repensar sobre as pequenas atitudes que podemos tomar. Uma colega de trabalho sempre me diz para “plantar uma sementinha na cabeça desses meninos para semearmos o amor.” Dessa forma enfraquecemos essa violência estrutural que o poder público e os grandes veículos de comunicação apenas realizam a manutenção desse estado.
Renato Russo disse em uma de suas letras: “A violência é tão fascinante e nossas vidas são tão normais”.
“Essas crianças estão nas ruas porque, no Brasil, ser pobre é estar condenado à marginalidade. Estão nas ruas porque suas famílias foram destruídas. Estão nas ruas porque nos omitimos. Estão nas ruas e estão sendo assassinadas.” Betinho(Sociólogo)
Olha, Serginho, preocupa-me muito o fato, principalmente das(os) adolescentes LGBT, pois sabemos que muitos deles são atirados à própria sorte pelas ruas das cidades quando seus pais desconfiam da sua sexualidade. São pessoas (quase crianças) obrigadas a ganhar a vida prostituindo-se por um pedaço de pão e sendo maltratadas pelos seus "clientes". Nada contra ser prostituta(o), mas que o seja porque se quer e não por que se é obrigado a sê-lo.
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